terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Existo, logo não faço sentido

Da minha existência carrego o fardo de uma vida ébria
pensamentos aleijados que não se conseguem fazer valer
Da minha existência carrego a frustração de nunca ter me frustrado
a cegueira que anestesia a percepção de uma vida pífia
Da minha existência carrego a lamentação de algo que nunca virá
Estuprando pensamentos indefesos digo: isso nunca acontecerá...
Da minha existência levo cicatrizes que nunca percebi
diálogos sem fins que sempre chegaram a nada
Da minha existência observo que nunca existi
como num sonho apenas estive ali...

Artur Zingano Jr.

Nunca

Nunca fiz planos para vida ou busquei algum objetivo
Nunca fui à procura de um amor
Nunca gostei de pessoas excessivamente felizes ou tristes
Nunca almejei ser reconhecido ou apenas um medíocre
Nunca acreditei em governos ou em rebeldes
Nunca respeitei fanáticos ou céticos
Nunca acreditei em deus ou no diabo
Na sorte ou no azar
Nunca gostei de dar esmolas ou pedir favores
Nunca procurei algo que não estivesse ao meu alcance
Simplesmente existo.

Artur Zingano Jr.