Pertenci a uma época onde o individualismo era exaltado, encorajado, alimentado... Recordo que procurava sempre obter o melhor para mim, somente para mim. Mas não era o único, me ensinaram a ser assim, e dessa forma sucessivamente todos que aqui habitavam mantinham o mesmo pensamento: “Quero o melhor para mim”.
Recordo que batalhávamos para alcançar desejos desnecessários, amores superficiais, falsas preocupações, empregos enfadonhos. Pensávamos ser únicos no universo.
Existiam aqueles que combatiam a guerra, mas guerreavam pela paz, eles não eram diferentes, todos éramos egoístas.
Lembro que ignorávamos o planeta em que vivíamos substituindo árvores por concreto, mares por piscinas artificiais, relacionamentos por romances no computador e o conhecimento por uma caixa quadrada que intitulávamos televisão.
Houve um tempo em que todos nós ficamos apreensivos com as bruscas mudanças da natureza, então inventamos diversas reuniões com os líderes tribais de cada nação. Mas os líderes não se importavam com suas tribos, porque nem as tribos se importavam com seus íntimos.
Decididos a evoluir sozinhos, as milhares de tribos espalhadas pelo planeta iniciaram batalhas em todas as partes da Terra com objetivo de conseguir o melhor para si, somente para si.
Então... num dia quente de verão, enquanto as tribos guerreavam, o planeta terra “espirrou” aniquilando qualquer batalha tribal. A natureza voltou a viver em harmonia.
Artur Zingano Jr.