segunda-feira, 10 de maio de 2010

Vazio

Ouço constantemente pessoas julgando outras pessoas, descrevendo qualidades sobre si mesmas, das quais, muitas usam o subterfúgio dessa condição humana como defeito benéfico, do tipo: sou sincero, mas isso às vezes me prejudica.
Desde o tempo em que existo – há 27 anos respirando o mesmo oxigênio - encontrei indivíduos de todas as espécies, e, na verdade, nunca consegui observar diferença entre todos os seres que transitam e defecam pelo planeta.
As pessoas traçam metas, planejam um futuro que talvez nunca virá e se embriagam de ilusão, criando deuses, castigos e recompensas. Provavelmente esses são os fatores que guiam os indivíduos que por aqui habitam.
Desde o momento em que comecei a respirar, supostas mudanças ocorreram e ocorrem diariamente pelo mundo, mas o ar continua o mesmo. Uns dizem que ele está mais poluído, outros dizem que em determinados locais ele é mais puro, mas ele sempre será formado pelas mesmas moléculas.
Interagindo com as pessoas, deparei-me com sujeitos de diversas espécies: idiotas, intelectuais e céticos. Esses são os piores. Não me refiro ao fato de não acreditarem em deus ou qualquer outro tipo de misticismo; esse tipo de crença é impossível de provar. Refiro-me aos céticos que desconhecem a própria existência. Eles traçam metas, planejam empregos enfadonhos, casam-se com mulheres fúteis e levam suas vidinhas monótonas e enjoadas para o túmulo, restando apenas o relicário como prova de suas vidas pífias e um saboroso banquete para os vermes.

Artur Zingano Jr.