Faltava trinta minutos para fechar a videolocadora quando entra um velho de aparência sofrida e dá início a uma conversa recheada de superficialidades de diversos gêneros e estilos.
Apesar da angústia de chegar em casa, acender um cigarro e começar o bom e velho ritual noturno, resolvo interagir com o idoso.
Ele inicia o assunto preferido de todas as pessoas daquela idade que chegam à videolocadora: tem filminho de sacanagem aí?
- Tem. Essa resposta instiga o velho a contar sobre traições e amantes gostosas que ele sustenta com o pouco dinheiro que recebe. 'Finjo escutar respondendo apenas com uma palavra: legal.
Como se não fosse o suficiente alugar o ouvido de um estranho (eu) que está querendo apenas levar o dinheiro dele através do aluguel de filmes, o velho começa a discursar sobre o relacionamento que ele mantêm com as amantes e como conseguia esconder essa parte da esposa. "Putz, chatisse do caralho. Esse velho otário pensa que sou obrigado a escutar um monte de idiotices só porque trabalho aqui (na locadora) e ele não tem mais nada pra fazer. Vai te fude seu otário", penso ao ouvir tanta merda.
- obrigado senhor, volte sempre.
Artur Zingano Jr.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
La muerte
O que existe no mundo que possa ser mais intrigante que a morte?Nascemos rumo a seus braços, e, apesar de ignorada, ela insiste em se aproximar, em adentrar a existência para deixar sua marca como ladrões que rapinam residências enquanto inquilinos descansam à espera de um novo amanhã...
Artur Zingano jr.
Artur Zingano jr.
terça-feira, 14 de julho de 2009
Observações
O que importa não é a quantidade que você escreve. E o que realmente importa não tem importância alguma. Sintetizar é fundamental, pois navegar é preciso...
Percepção
Caiu no lixo, sentiu-se humano. A vida começa a fazer sentido...
Cores
Debaixo da língua as cores começam a derreter e a pulsar perante o olhar desacreditado do sujeito.
Artur Zingano Jr.
Percepção
Caiu no lixo, sentiu-se humano. A vida começa a fazer sentido...
Cores
Debaixo da língua as cores começam a derreter e a pulsar perante o olhar desacreditado do sujeito.
Artur Zingano Jr.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Os Ponteiros
Um ponteiro indica a hora, outro o minuto e o último o segundo. Eles andam em sincronia, como crianças girando numa gangorra. Cada número marcado por eles mostra-nos que o antes já não existe e que o Agora é algo tão imperceptível que só iremos notá-lo quando ficar enredado no passado – próximo ou longínquo.Os números são sempre os mesmos: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, mas sempre que visualizamo-los nunca são os mesmos. Quando ouço doze badaladas à noite, tenho a impressão de que ele já cumpriu seu trabalho, apesar dele nunca descansar. Ouço novamente doze badaladas; só que dessa vez a claridade revela que o período é outro, embora para ele não tenha significado algum, a não ser o de soar doze vezes duas vezes ao dia... Os ponteiros só aprenderam a contar até 12, entretanto, nós conseguimos dobrá-lo para 24. Até aqui tudo que foi lido pertence ao passado e os ponteiros continuam a trabalhar como rins de jovens numa noite de bebedeira. Eles não reclamam, não questionam nem reivindicam direitos, simplesmente trabalham...O tempo é apenas um conceito imaginado por homens nostálgicos que o utilizam para recordar conquistas e derrotas, embora seja inevitável ignorá-lo no cotidiano. Mas o cotidiano também é um conceito criado para dar sentido à vida das pessoas; dessa forma criamos sonhos para camuflar a inutilidade da existência.Enquanto escrevia o parágrafo acima os ponteiros continuavam a percorrer os números, mostrando que no momento em que redijo essas palavras faltam apenas cinco horas e vinte minutos para o dia clarear...Nascemos com a certeza de que o tempo está se esgotando. Os segundos viram minutos que viram horas que viram dias que viram semanas que viram meses que viram anos... Anos e mais anos; tudo em sincronia com os ponteiros...Cada ciclo completado por eles indica que estamos mais velhos. Para os jovens não há surpresa alguma em envelhecer; alguns velhos ficam assombrados com a ideia... Os anos parecem passar mais rápido; palavras que não foram ditas, amores esquecidos no turbilhão das décadas. O solitário fim da existência... Nenhum souvenir para levar, apenas o ponteiro indicando o final do ciclo.
Artur Zingano Jr.
Artur Zingano Jr.
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