quarta-feira, 13 de maio de 2009

Os Ponteiros

Um ponteiro indica a hora, outro o minuto e o último o segundo. Eles andam em sincronia, como crianças girando numa gangorra. Cada número marcado por eles mostra-nos que o antes já não existe e que o Agora é algo tão imperceptível que só iremos notá-lo quando ficar enredado no passado – próximo ou longínquo.Os números são sempre os mesmos: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, mas sempre que visualizamo-los nunca são os mesmos. Quando ouço doze badaladas à noite, tenho a impressão de que ele já cumpriu seu trabalho, apesar dele nunca descansar. Ouço novamente doze badaladas; só que dessa vez a claridade revela que o período é outro, embora para ele não tenha significado algum, a não ser o de soar doze vezes duas vezes ao dia... Os ponteiros só aprenderam a contar até 12, entretanto, nós conseguimos dobrá-lo para 24. Até aqui tudo que foi lido pertence ao passado e os ponteiros continuam a trabalhar como rins de jovens numa noite de bebedeira. Eles não reclamam, não questionam nem reivindicam direitos, simplesmente trabalham...O tempo é apenas um conceito imaginado por homens nostálgicos que o utilizam para recordar conquistas e derrotas, embora seja inevitável ignorá-lo no cotidiano. Mas o cotidiano também é um conceito criado para dar sentido à vida das pessoas; dessa forma criamos sonhos para camuflar a inutilidade da existência.Enquanto escrevia o parágrafo acima os ponteiros continuavam a percorrer os números, mostrando que no momento em que redijo essas palavras faltam apenas cinco horas e vinte minutos para o dia clarear...Nascemos com a certeza de que o tempo está se esgotando. Os segundos viram minutos que viram horas que viram dias que viram semanas que viram meses que viram anos... Anos e mais anos; tudo em sincronia com os ponteiros...Cada ciclo completado por eles indica que estamos mais velhos. Para os jovens não há surpresa alguma em envelhecer; alguns velhos ficam assombrados com a ideia... Os anos parecem passar mais rápido; palavras que não foram ditas, amores esquecidos no turbilhão das décadas. O solitário fim da existência... Nenhum souvenir para levar, apenas o ponteiro indicando o final do ciclo.

Artur Zingano Jr.

2 comentários:

  1. que tal liliputhiar o blog? torná-lo rapido como o ponteiro dos segundos? a mundo é pressa, a vida é pressa, sem sabermos exatamente por que...

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  2. putz... o mundo é mais que pressa, é estupidez enlatada e feita em série... como estes ponteiros tolos... que nao sabem onde vão... por que teimam em correr?

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